Mídias sociais ou anti-sociais?

Por Crivo em 27 de October de 2009

No final de semana foi aberta uma discursão interessante no EDTED (Encontro de Designe e Tecnologia) promovido pela editora Arteccon lá na “Baêa”, mais especificamente numa Salvador alagada pela chuva da manhã do sábado.

Pois bem, a discursão rolou em torno das famosas redes sociais, que hoje são a bola da vez na publicidade, no marketing, na tv, nas rodas de conversa e nos mais distantes lugares do planeta. Lugares mais distantes do planeta? Será?

A partir desse último assunto foram levantadas questões muito pertinentes relacionadas às ferramentas que compõe a teia. Será que as redes sociais são realmente sociais? O proveito de ferramentas como Twitter por exemplo atinge qual parcela da população?

Alguns dos participantes da mesa redonda que foi organizada no evento defenderam a ferro e fogo o uso das ferramentas para “comunicar” (sim alguns deles “vendem” ou prestam assessoria em mídia social), outros já tiveram uma posição mais sensata a exemplo do publicitário Michel Lent da Ogilvy Interactive que comparou o Twitter ao Second Life. Segundo o próprio Lent, o Twitter hoje ocupa a capa das revistas que o Second Life ocupou no passado, e consequentemente a mesma posição no mercado, dessa forma corre o mesmo risco de ser esquecido.

O papo rendeu tanto que começaram os questionamentos até sobre inclusão digital e sobre as condições sociais do nosso país. Sim, existem lugares no Brasil que não têm água, energia, saneamento básico e a internet não escapa disso! Outro ponto é o nível de analfabetismo e ausência de educação digital da população.

Em minha singela opinião as ferramentas oferecidas hoje gratuitamente com o intuito de agregar informação e conhecimento aos usuários de internet tem sido usadas por alguns de uma forma errada e por isso vem perdendo o sentido da própria existência. Algumas das interferências geradas trazem resultados benéficos, e por sua vez vem a complementar no crescimento e proveito dessas ferramentas, mas o uso saturado dos recursos acabam destruindo e fazendo que cada vez mais os sites, e aplicações caiam em desuso. Isso tem acontecido com o Orkut, o Twitter, Facebook e vai continuar acontecendo enquanto não houver uma conscientização.

O uso das redes sociais para colaborar na inclusão digital e social seria sim uma boa alternativa para o país. Paralelamente a conscientização dos profissionais de mídia, sejam eles publicitários, marketeiros, jornalistas, gerentes de conteúdo, e demais hypes tem a mesma importância. Evitar a perpetuação de mais um foco de poluição (vide a sonora e a visual as quais nos são impostas inconscientemente) em um ambiente no qual deveríamos ter a liberdade de filtrar o que desejamos consumir é hoje um dos desafios impostos por esse crescimento acelerado das redes sociais e do proveito que muitos têm tirado.

Acho isso, e mais um pouco.

ps.: não sou o carrasco do Twitter e de nenhuma das ferramentas citadas, uso algumas delas (inclusive o passarinho) e seria hipocrisia dizer que elas não tem sua parcela de utilidade no dia-a-dia de alguém que vive quase imerso no ambiente digital.


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